Bison & Comassetto: A dupla revelação de Goiânia não é goiana

Com performances divertidas em bares da capital de Goiás, cantores são conhecidos pelo bom humor e qualidade vocal

Não é de hoje que Goiânia é reverenciada por aqueles que acreditam que a capital do estado brasileiro é um tipo de “Meca” do sertanejo. Talvez por concentrar alguns importantes produtores musicais e também pelo culto do gênero pela maioria da população. Não é fato raro que alguns cantores e duplas migrem para a cidade, em busca de visibilidade e novas oportunidades. Claro que nada é fácil, a concorrência é enorme. E, assim como em qualquer ramo em que há fabricação em escala, uma verdadeira linha de produção, na música não é diferente: a qualidade cai.

Bison & Comassetto é um exemplo desta tentativa de alcançar o sucesso em terras goianas. Os jovens, paulista e gaúcho respectivamente, se conheceram nos palcos da cidade e acabaram unindo forças para continuar a crescer. As redes sociais ajudam bastante nessa tarefa, uma arma importante no combate ao poderio econômico (em detrimento do talento) de alguns concorrentes. 

Eles são conhecidos, principalmente, por apresentações improvisadas em bares e botequins da cidade, registrando as performances no Instagram. E é esse quesito que chama a atenção. Na voz e violão, além do carisma nato, eles mostram a que vieram. As paródias de músicas conhecidas são impagáveis. “De São Paulo a Belém”, sucesso nas vozes de Rionegro e Solimões, virou “Trepada em Cuiabá” (tirem as crianças da sala, por favor). “Okuta”, “Eu Sou Fudido” ou “Rei da Zona” são interpretadas com frequência nesses ambientes, para um público, digamos, bastante eclético. 

Mas não é só nesse tipo de música que se destacam. Seja interpretando modas de Milionário & José Rico ou nas românticas, casos de “Cavalgada” (hit na voz de Roberto Carlos) e “Pedras” (dos bons tempos de Zezé Di Camargo & Luciano), eles dão um verdadeiro show. Vale a pena conferir. O projeto “Época Diamante” também conta com canções do chamado “universitário”, como o carro-chefe “Rolê no Meu Cavalo” e “Ex-Gigolô”. Um lado mais comercial, para um público menos exigente, que não se importa com letra. Mas até aí eles mandam bem. 

Não os conheço pessoalmente, portanto isso não é um publieditorial daqueles pagos, que transformam cantores de karaokê em popstars. Não trabalho para a dupla. É apenas uma opinião (ou desabafo) de quem conhece um pouco desse universo do sertanejo, tão judiado ultimamente. Espero que alcancem o sucesso e que não abandonem as raízes e essa humildade que vai alçá-los a patamares mais altos. 

Em tempos de ídolos fabricados em laboratório, a dupla Bison & Comassetto é um oásis em meio a um deserto de gente que faz mais do mesmo. Se forem cantar/beber pelos botecos da vida, por favor me chamem.

Carlos Guerra (Porteira Brasil Comunicação)

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